Modelo de redação nota 1000 no Enem

A Carolina Furquim tirou nota 100 na redação do Enem 2014, ela conversou com a professora Cleuza Cecato para explicar como não é difícil fazer um bom texto.

Assista a entrevista e leia abaixo a redação.

Alvo constante de debates, a questão da publicidade infantil voltou a ganhar força em abril último, quando o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, o Conanda, emitiu uma resolução com vários critérios considerados abusivos nas propagandas direcionadas a esse público. Embora apoiada por pais e entidades, a medida não tem valor legal e, até um mês após o anúncio, sua aplicação prática seguia indeterminada.

Na contraparte, diferentes associações de anunciantes, veículos de comunicação e empresas cujos negócios estão ligados ao universo infantil, alegam que o Conanda não possui base constitucional para legislar e impor a resolução. No Brasil, assim como nos Estados Unidos e na Austrália, leis nacionais sobre a questão são inexistentes, conferindo à autorregulamentação, aqui exercida pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, o Conar, o devido poder de controle.

O embate se acentua quando se considera o papel da criança e sua vulnerabilidade frente aos apelos do marketing infantil. Privá-la de receber determinadas informações é quase como exercer publicamente a tarefa atribuída aos pais na esfera privada: filtrar o que é relevante ou não na educação e cotidiano de seus filhos. Obviamente, moderar e controlar, tal como é feito hoje pelo Conar, ajuda a evitar radicalismos e casos extremos de persuasão. Entretanto, o último alerta deve ser dado por pais e responsáveis.

A construção da responsabilidade do consumo precisa ser iniciada logo nos primeiros anos de vida. Trata-se de uma etapa na qual os pais podem auxiliar seus filhos a determinar que produtos ou serviços são realmente válidos, independentemente do que é veiculado na televisão e nos impressos. Pouco a pouco, o indivíduo obterá o discernimento necessário para emitir seus próprios julgamentos, o que também ajudará a moldar seu perfil de consumidor e enfrentar, com mais consciência, futuras e impactantes decisões de compra.

Paralelamente às atribuições da família, o governo poderia ir além de normatizar a questão e oficializar as devidas leis, permanecendo o Conar a entidade responsável pela fiscalização. Isso ajudaria a evitar lacunas como aquela aproveitada pelo Conanda, além de organizar o debate. Educação financeira dentro de casa e até mesmo nas escolas é uma medida interessante, com a finalidade de corroborar a formação de um cidadão consciente, esclarecido e vigilante.

 

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